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Clube das máfias (das “famiglias”) sempre governou o Brasil.

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O Brasil sempre foi governado (salvo fugazes momentos históricos) pelas “máfias” da Colônia, do Império, da Câmara, do Senado, do baixo-clero, do alto-clero, do BNDES, da Caixa Econômica, da esquerda, da direita, do PT, do PMDB, do PSDB, do DEM, das licitações, da compra de medidas provisórias etc.). Se não dermos os nomes certos para as coisas, nunca as entenderemos.

Das dez principais características das máfias tradicionais (Cosa Nostra, ‘Ndrangueta, Camorra etc.), nove estão presentes no crime organizado político-empresarial-financeiro que sempre governou o Brasil. São elas (ver A. Cavadi, La Máfia):

1ª) estar no exercício do poder (na maior dimensão possível); 2ª) escopo de enriquecimento (para aumento da fortuna pessoal ou conquista ou preservação do poder); 3ª) apoderamento (captura) do Estado (não se trata de poder paralelo; é o poder do próprio Estado que é sequestrado); 4ª) infiltração em suas instituições (políticas, econômicas, jurídicas e sociais, em busca da riqueza e da impunidade, como a do TSE, por exemplo); 5ª) clientelismo (troca de favores, proteção aos amigos, parentes e correligionários).

Mais:

6ª) manipulação do jogo eleitoral (apropriando-se da democracia, onde vigora este regime); 7ª) domínio da política pelo poder do dinheiro (abrindo-se caminho para um tipo de capitalismo selvagem, sem concorrência); 8ª) “aparato de justificação” (busca de apoio e consenso social, para a preservação das desigualdades – Piketti – e da cultura da corrupção: os mafiosos são temidos, mas querem mesmo ser “respeitados”, “admirados”); 9ª) uso intenso da intimidação e das ameaças para dominar certo território e suas instituições.

Tudo isso faz parte do dia-a-dia do clube das máfias (agora revelado em detalhes pela Lava Jato) que governam e administram o Brasil. Esses delinquentes são do tipo proto-mafioso (quase totalmente mafioso), porque lhes falta para se igualarem aos clássicos grupos mafiosos a 10ª característica, que é a seguinte: uso sistêmico da violência (da via sanguinária) friamente “calculada”, “programada” para alcançar seus objetivos.

Os grupos “mafiosos” que nos governam fazem uso da violência, porém, de forma esporádica, não sistêmica. Sistêmica é a falta de escrúpulos. Com violência sistêmica teríamos pouquíssimas delações no Brasil (levando-se os delatores para outros países, para não serem assassinados).

Os “degenerados” e inescrupulosos que nos governam, que não passam de 0,01% da população, (ainda) não são 100% mafiosos, em razão da ausência da 10ª característica assinalada.

Nas mãos desses delinquentes proto-mafiosos e perversos o Brasil sempre esteve. Nossa República é governada por esses bandoleiros, que contam com a proteção das instituições de fiscalização (como o Judiciário).

E assim será o Brasil, enquanto a população (dormida) der apoio para esse tipo de bandidagem político-empresarial-financeira. Se você anda desanimado com tudo isso, participe dia 30/7, 10h, do nosso ato cívico (Paulista com Rocha Azevedo). Temos que recuperar nossa esperança de um Brasil melhor.

 

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