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Gilmar Mendes e a corrupção de Mato Grosso.

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O belo e pujante Estado de Mato Grosso, evidentemente, não é uma “monstruosidade”. Do ponto de vista do exercício emporcalhado do poder, no entanto, é um retrato miniaturizado da cleptocracia parasitária chamada Brasil, que não passa de uma democracia apenas formal (sem substância). Cleptos = ladrões; cracia = governo, poder. A Lava Jato está revelando que o Brasil é mesmo um governo de ladrões.

A delação do ex-governador Silval Barbosa, do PMDB (uma “monstruosidade”, disse o ministro Fux), descreve com perfeição como se exerce perversamente o poder numa cleptocracia parasitária (que não tem nada a ver com as verdadeiras democracias).

Para não atrapalharem a roubalheira generalizada do dinheiro público (praticada impiedosamente pelos ladrões invisíveis juntos com os visíveis), alguns deputados, prefeitos e conselheiros do Tribunal de Contas passaram a receber propinas mensais.

Alguns ladrões parasitas foram filmados. Nos seus rostos está estampado um prazer indescritível. A chefia da quadrilha, diz o Procurador-Geral, cabia a Blairo Maggi, que é ministro do governo ladrão de Temer, que não pode demiti-lo, sem antes assinar seu próprio pedido de demissão voluntária (PDV).

A delação do monstro Silval Barbosa (que confessou milhares de crimes) tem quatro volumes, 15 apensos e incontáveis gigabytes de cenas explícitas da corrupção desenfreada.

Quando a polícia entrou na casa do governador mato-grossense a reação de espanto do ministro Gilmar foi também monstruosa: “Que absurdo!”, “Meu Deus do céu!”. Tudo isso foi interceptado licitamente.

Como membro do aparato de proteção das grandes quadrilhas de delinquentes do dinheiro público, prometeu falar com o ministro relator do caso (repita-se: prometeu falar com o relator) e se despediu afetuosamente: “Um abraço aí de solidariedade”.

Só numa cleptocracia parasitária completamente degenerada um ministro da Corte Suprema se expõe prestando solidariedade a um mafioso delinquente do dinheiro público. Pelo imediato impeachment de Gilmar Mendes, que está envergonhando (mais ainda) a magistratura brasileira.

Mato Grosso (tanto quanto São Paulo, Brasília etc.) faz parte de uma estrutura parasitária de poder, que é dominada por ladrões invisíveis e governada por ladrões visíveis. Quem não faz parte da roubalheira, está pagando a conta. Ninguém escapa do “sistema”.

Na primeira categoria (invisíveis) estão setores do poder econômico e financeiro que financiam ou influenciam a governança; na segunda (visíveis) se acha o poder político-administrativo, leia-se Executivo e Legislativo, ressalvadas as honrosas exceções.

As carreiras criminosas desses ladrões invisíveis (os que dominam) assim como dos ladrões visíveis (os que governam) não teriam sucesso se não existisse o auxílio dos aparatos (1) operacional (Lúcio Funaro, por exemplo), (2) de proteção (policial e judicial, sobretudo), (3) de justificação (laboratórios de ideias, partidos, sindicatos etc.) e (4) de intimidação (ameaças, coerções e perseguições).

 

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