Home Fim do político profissional Marina recorda frase de FHC: “PT e PSDB brigam para ver quem cuida do atraso”

Marina recorda frase de FHC: “PT e PSDB brigam para ver quem cuida do atraso”

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Na sede do banco Goldman Sachs, em São Paulo, numa conferência para público restrito, Marina Silva (em 31/3/15) afirmou que a política é serviço público e que ninguém pode dela se servir. Recordou a famosa frase de FHC (de 2005), que disse: “O que separa PT e PSDB não é nenhuma diferença ideológica ou programática, mas pura e simplesmente a disputa pelo poder” (veja Vera Magalhães, Folha); “nós não discutimos nem disputamos ideologia, é poder, é quem comanda”; “há uma ‘massa atrasada’ no país e partidos que representam esse atraso; no fundo, nós disputamos quem é que comanda o atraso”, afirmou FHC. O Brasil ainda “não completou a República em vários sentidos”.

Para Marina Silva pessoas boas estão em todos os partidos. Afirmar que bons são apenas os amigos significa empobrecimento da realidade. Se ela fosse eleita, governaria com os melhores, sem se importar o partido de cada um. O modelo de desenvolvimento do Brasil está errado. Fez críticas ao governo atual assim como a governos anteriores, mas reconheceu que coisas boas também aconteceram (estabilidade econômica, melhora nos indicadores sociais etc.). Lamentou o fato de que tudo no país é “fulanizado”, quando, na verdade, as conquistas deveriam ser institucionalizadas (para não correrem o risco de perdas).

Disse ainda que também a política tem um ethos. Não concorda que é preciso criar um inimigo para se firmar. O modelo político atual está falido. Precisamos renovar a política. Ninguém sozinho tem a resposta. A verdade está entre nós, não em algum de nós. A inteligência de todos é melhor que a inteligência de alguns. O humano precisa também ser reformado. Temos que fazer política de longo prazo em um curto prazo político. Mas, no Brasil, vigora o contrário: fazemos política de curto prazo (imediatista) em um longo prazo político. As crianças foram para a escola e agora tiram zero na prova do Enem [elas foram para dentro da escola, mas a escola não entrou dentro delas].

Eu sinceramente não vejo hoje Marina Silva como a terceira via para o Brasil, mas amanhã pode ser. Falta encorpamento para suas propostas e mais visibilidade e confrontação das suas ideias. Precisamente por isso indaguei-lhe por que não mostrava mais essas suas ideias e sua equipe, numa espécie de governo paralelo (sinalizando saídas distintas do “PeTucanato” para os problemas brasileiros: inflação, ajuste fiscal, corrupção, excesso de ministérios etc.). Marina manifestou simpatia com a minha sugestão, mas não assumiu nenhum compromisso em estruturar um governo paralelo de fiscalização e cobranças do governo atual. Ocorre que o povo somente acredita no que gera transformação e transformação só acontece com exemplos (como foram o plano real para o PSDB e a melhoria dos indicadores socioeconômicos para Lula). Se Marina não começar a dar exemplos concretos de como seria o seu governo, tem tudo para morrer na praia novamente em 2018. E lá vamos nós ver a continuidade da guerra encarniçada do PeTucanato, que outra coisa não sabe fazer que disputar quem governa o atraso.

P.S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (veja fimdopoliticoprofissional.com.br). Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!

  • José Mauro Rosa

    Excelente esclarecimento professor, avante!!

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